Félix reforça importância da prevenção de acidentes e dos cuidados com a saúde mental do trabalhador

O presidente do Sindedif, José Maria Félix, participou, nesta terça-feira (24 de março), da terceira reunião de 2026 da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (CISTT), encontro dedicado à discussão de políticas e ações voltadas à proteção da saúde de quem trabalha.

A reunião colocou em pauta uma realidade que ainda preocupa: os acidentes de trabalho no Brasil e a necessidade de ampliar as ações de prevenção. Para Félix, os números não podem ser vistos apenas como estatísticas, já que cada ocorrência pode representar consequências profundas para trabalhadores e suas famílias.

“Por trás de cada número existe uma pessoa, uma família e uma história. Quando um trabalhador sofre um acidente ou adoece em razão do trabalho, as consequências não ficam apenas dentro da empresa. Elas chegam à casa e à vida daquela família”, destacou Félix.

Prevenção precisa fazer parte da rotina de trabalho

Durante a reunião, o presidente da Fundacentro, Pedro Tourinho, apresentou reflexões sobre os acidentes de trabalho e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para tornar os ambientes profissionais mais seguros.

Mesmo com a existência de normas regulamentadoras e avanços na legislação, Félix defende que a prevenção precisa estar efetivamente presente na rotina das empresas.

“Não basta existir uma norma no papel. Ela precisa ser cumprida no local de trabalho. Prevenir significa identificar o risco antes que o acidente aconteça. É uma responsabilidade que precisa ser levada a sério todos os dias”, afirmou.

O encontro também contou com a participação da auditora do Ministério do Trabalho – Regional Santos, Cíntia Veras, fortalecendo o diálogo entre diferentes instituições envolvidas na promoção da saúde e da segurança laboral.

Saúde do trabalhador também é saúde mental

Outro ponto destacado por Félix foi a necessidade de ampliar o conceito de saúde ocupacional. Para ele, proteger o trabalhador significa observar não apenas os riscos físicos, mas também as condições emocionais e psicológicas existentes no ambiente profissional.

Pressão excessiva, assédio, sobrecarga, jornadas desgastantes e outras situações capazes de provocar sofrimento psicológico precisam fazer parte das políticas de prevenção.

“Durante muito tempo, quando se falava em saúde do trabalhador, pensava-se principalmente no acidente físico. Hoje precisamos compreender que um ambiente de trabalho também pode adoecer emocionalmente uma pessoa. A saúde mental precisa receber a mesma atenção”, defendeu Félix.

Capacitação para identificar riscos psicossociais

A reunião apresentou ainda o trabalho desenvolvido pelo Sevrest e trouxe o anúncio de uma nova oficina de capacitação voltada à identificação e prevenção dos riscos psicossociais na região.

Para Félix, investir em formação e informação é uma das maneiras de transformar a discussão sobre saúde ocupacional em ações concretas.

“Quanto mais preparados estiverem trabalhadores, sindicatos, empresas e órgãos responsáveis, maiores serão as possibilidades de identificar os problemas antes que eles se transformem em adoecimento ou acidente. Prevenção também se faz com conhecimento”, ressaltou.

Félix reafirmou que continuará levando o tema aos espaços em que atua e defendendo medidas que garantam condições dignas, seguras e saudáveis aos trabalhadores.

“Nosso compromisso é continuar cobrando, propondo e participando. Trabalho não pode custar a saúde e muito menos a vida de ninguém”, concluiu.