Félix explica decisão de fechar Convenção Coletiva após negociação difícil com setor patronal

Após uma rodada de negociações considerada difícil, o Sindedif concluiu a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. O presidente da entidade, José Maria Félix, explicou, no dia 30 de julho, que a decisão foi tomada após a avaliação dos riscos que um prolongamento do impasse poderia representar para os trabalhadores.

Segundo Félix, o sindicato entrou nas negociações buscando ampliar conquistas e obter melhores condições para a categoria, mas encontrou resistência do setor patronal em pontos defendidos pelas entidades representantes dos trabalhadores.

“Quem acompanha nosso trabalho sabe que nunca entramos em uma negociação pensando apenas em fechar um acordo. Entramos para buscar o máximo possível para os trabalhadores. Desta vez encontramos uma negociação muito difícil e, naturalmente, eu gostaria que tivéssemos conquistado mais”, afirmou Félix.

Possibilidade de dissídio preocupou o sindicato

Um dos fatores considerados pelo Sindedif foi a possibilidade de o impasse seguir para julgamento por meio de dissídio coletivo.

De acordo com Félix, levar a discussão ao Tribunal poderia prolongar a indefinição sobre as condições da categoria e aumentar a insegurança dos trabalhadores em relação ao resultado final da negociação.

Diante desse cenário, a direção sindical avaliou que concluir a Convenção Coletiva seria a alternativa mais responsável naquele momento.

“Precisávamos decidir pensando na categoria como um todo. Havia a possibilidade de levarmos essa discussão para o Tribunal e ficarmos meses aguardando uma definição. Negociar também significa saber avaliar riscos. Entendemos que não seria responsável deixar milhares de trabalhadores nessa situação de incerteza”, explicou.

“Gostaria de ter conquistado mais”

Félix reconheceu que o resultado ficou abaixo das reivindicações inicialmente defendidas pelo sindicato, mas ressaltou que uma negociação coletiva exige avaliar não apenas aquilo que se pretende conquistar, mas também os riscos de eventuais perdas.

“Eu poderia simplesmente dizer que estou satisfeito, mas prefiro ser transparente com o trabalhador: gostaria de ter conquistado mais. Lutamos, insistimos e apresentamos nossos argumentos. Chegou um momento em que tivemos que avaliar até onde poderíamos avançar sem colocar a categoria diante de um risco ainda maior”, afirmou.

Para o dirigente, essa postura não significa abandonar as reivindicações que não avançaram nesta negociação.

Negociação termina, mas reivindicações continuam

O presidente do Sindedif destacou que a assinatura da Convenção Coletiva encerra uma etapa, mas não o trabalho de representação da categoria.

As demandas dos empregados em edifícios continuarão sendo discutidas pelo sindicato e poderão retornar às próximas negociações coletivas.

“Uma Convenção não encerra a nossa luta. Aquilo que não conseguimos conquistar agora continuará fazendo parte das nossas discussões. O movimento sindical é construído ao longo do tempo, preservando direitos, buscando avanços e enfrentando cada negociação com responsabilidade”, ressaltou.

Félix também reforçou a importância da união dos trabalhadores para ampliar a capacidade de negociação das entidades sindicais.

“Sindicato forte se constrói com participação e união da categoria. É essa força que levamos para a mesa quando negociamos com o setor patronal. Quanto mais unidos estivermos, maiores serão nossas condições de avançar”, afirmou.

Ao comentar o encerramento das negociações, Félix reafirmou que a direção do Sindedif continuará acompanhando o cumprimento da Convenção e preparando as próximas pautas da categoria.

“Existem momentos em que conquistamos aquilo que buscamos e outros em que precisamos tomar decisões difíceis para evitar prejuízos maiores. O que não muda é o nosso compromisso. Jamais deixaremos de defender os direitos dos trabalhadores que representamos”, concluiu.